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Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida
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Miniatura

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Número de registro
MAC0092
Título
Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida
Série
Verdes Complementares
Autoria
Ano
2013
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
77 X 97 cm
Notas descritivas
A obra “Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida” possui 107x87cm e trata-se de uma paisagem. Os pixels que formam a imagem fazem surgir uma textura onde as cores aparecem na mesma proporção dos pontos brancos que se mesclam a elas. As cores predominantes no trabalho são o azul, na parte superior da imagem, e o verde, na parte inferior. Vê-se cinco elementos que compõe a imagem: na metade superior da fotografia, em azul claro acinzentado, o céu; Ao centro da imagem, uma massa horizontal, irregular, que aparenta ser composta por vegetação ou montanhas, em tons de azul e verde; Abaixo, na posição central, em direção à direita e mais abaixo que os elementos já descritos, porém à frente deles, há uma massa horizontal verde médio, aparentando ser formada por vegetação arbustiva; Ocupando o lado direito da imagem, à frente dos demais elementos, em um verde escuro, quase preto, uma massa de vegetação vertical, que vai desde o elemento verde médio até a parte superior do céu; Na fração inferior da imagem, formando um retângulo horizontal, há o que parece ser grama, em um verde mais claro, com algumas manchas em branco.
Texto para etiqueta
DIRNEI PRATES
(Porto Alegre, RS, 1965)
Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida, 2013
Série Verdes Complementares
Fotografia
77x97cm
Doação do artista
Aquisição
Doação artista, 2022
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
A obra de Dirnei Prates, “Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida” faz parte de uma série denominada Verdes Complementares. Nesta série, o artista apropria-se de fotografias publicadas em jornais diários vinculadas a notícias de crimes ou investigações policiais. O procedimento de Dirnei consiste em isolar da imagem apenas aquilo que nela é paisagem, excluindo elementos arquitetônicos ou rastros que denotem uma cena de crime. Nessa operação, somos confrontados com cenas campestres, espaços bucólicos, imagens que se desvinculam da narrativa que as originou. Ao mesmo tempo, o título da obra e a textura da imagem, reticulada, com baixa nitidez, sugerem que não estamos vendo exatamente o que está diante de nossos olhos, há um mistério em curso e o espectador é convidado a se demorar diante da imagem, investigando-a em seu enigma.
Além disso, é interessante destacar a relação desta série com a noção de pintura a partir da teoria das cores complementares, sugerida em seu título. O conflito que a obra instaura é entre olhar para imagem enquanto uma manifestação puramente formal e reconhecê-la enquanto parte de um cena de crime, trazendo à tona uma dimensão política fundamental para a relação que estabelecemos com as imagens e com a arte.
Autoria
Comentários/Dados históricos
A obra é datada de 2013, de autoria do artista Dirnei Prates (1965, Porto Alegre/RS), e intitulada “Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida”. O trabalho de Dirnei, faz parte da série “Verdes Complementares”, que traz fotografias ampliadas, que originalmente, foram publicadas em jornais com manchetes focadas em crimes, acidentes de trânsito e mortes, entre outros tipos de violência. Nas produções fotográficas do artista, imagens e títulos são inseparáveis, pois é da associação entre esses dois elementos que os trabalhos se formam e adquirem suas novas propriedades estéticas. O trabalho foi doado ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), no dia 14 de março de 2022, sendo doação do artista. A fotografia foi apresentada ao público, como acervo do museu, na exposição comemorativa de 30 anos do MACRS, “Matéria Difusa”, que aconteceu entre 18 de abril a 22 de maio de 2022, com curadoria da Gabriela Motta.
Exposições e prêmios
- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana. Porto Alegre, RS, 2022.
|- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), Pelotas, RS, 2022.
|- Exposição: MACRS +D, Galeria Augusto Meyer, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 3° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2022.
Histórico de publicações
RIBEIRO, Niura. A fotografia contemporânea e seus compartilhamentos pictóricos: antinomias e convergências. PPGAV/UFRGS, v. 21, n. 35, Porto Alegre, 2016. p. 117-118-119.
GIORA, Mario. Dirnei Prates - Verdes Complementares. Canal Contemporâneo, Arte em Circulação. Belo Horizonte, 2013. Disponível em https://www.canalcontemporaneo.art.br/arteemcirculacao/archives/005624.html , Acesso em 15 de maio de 2022
Porto Arte. - v.1, n. 1 (jun. 1990). Porto Alegre : Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Instituto de Artes. Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, 1990 -. Reprod: Imagem da Capa Dirnei Prates, Polícia inspecionará poços em busca de jovem sumida, detalhe, 2012-2013.
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Mídias relacionadas
"A série Verdes Complementares (2012-2013) produz uma descontinuidade dos conteúdos de representação no que se refere a imagem e título. Para os trabalhos dessa série, o artista busca imagens documentais de notícias de impacto publicadas nos jornais que tratam de crimes, acidentes de trânsito e mortes, entre outros tipos de violência. O interesse na imagem concentra-se na ampliação dos planos de fundo, em que somente a paisagem, desprovida de figura humana, acaba sendo reapresentada, excluindo, portanto, o primeiro plano, que registra o fato documental da violência. Ao descontextualizar o fato em si, o artista retira o caráter documental da imagem". (RIBEIRO, 2016, p. 118).
|"Verdes Complementares certamente tem um forte componente político. O artista gaúcho se apropria de fotografias publicadas em jornais populares, com forte acento para notícias sobre violência urbana e acidentes de trânsito, e as reinventa em sua produção. Elimina qualquer traço do fato em si. Assim, corpos feridos, metais retorcidos e atendimentos de policiais e bombeiros são deixados de lado. Os fundos recortados em detalhes quase a perder seu referencial geográfico _ campos, árvores e caminhos podem ser encontrados em quase todo local _ são retrabalhados em ampliações fotográficas, nas quais os grãos das imagens, a trazer à tona a origem da superfície do papel jornal, provocam um desconforto no observador, como a perguntar sobre a ‘veracidade’ do registro colocado à frente". (GIOIA, 2013, doc.eletr). Disponível em: https://www.dirneiprates.com/trabalhos , Acesso em 15 de maio de 2022.
|"A série “Verdes complementares”, da qual esta obra faz parte, parte da apropriação de fotografias publicadas em jornais diários, onde quase sempre a imagem primeira, evidencia a notícia. Nestes trabalhos, porém, o foco é dirigido às paisagens encontradas num segundo ou terceiro plano destas imagens. São espaços bucólicos, cenas campestres e delicadas que se desprendem da narrativa que as originou; no projeto foram selecionadas do jornal, reportagens de choque que de certa forma remetessem a acidentes ou a ações envolvendo alguma forma de violência física. Cada fotografia resultante da apropriação recebe em seu título, o mesmo título dado à notícia apropriada, criando um lapso entre o que é apresentado e o que é mencionado. A série estabelece um jogo poético a partir da teoria das cores complementares (que são aquelas que mais oferecem contraste entre si), onde o vermelho, associado ao desastre e à violência, cria contrapontos aos fragmentados de verdes campos que complementam a paisagem. A ampliação de um pequeno pedaço de jornal e, conseqüentemente, o grão do papel, conferem uma nitidez apenas parcial às cenas. Estas se revelam não com a proximidade, mas com a distância, remetendo o espectador, tanto diante da matéria, quanto diante da figura, à tradição da pintura". (PRATES, 2013, p. 54). Disponível em: https://www.mediacenterliberal.com.br/pdf/ARTE%20PARA%202013.pdf . Acesso em 18 de novembro de 2022.