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Poder
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Miniatura

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Número de registro
MAC1181
Título
Poder
Série
Carnaval
Autoria
Ano
1972
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
100 x 150 cm
Local de produção
Notas descritivas
A obra que integra o acervo do MACRS se chama ‘Poder’ de 1972, e faz parte da série de fotografias ‘Carnaval’, que registram o bloco de rua Cacique de Ramos na década de 70.
Texto para etiqueta
Carlos Vergara
(Santa Maria/RS, 1941)
Poder, 1972
Impressão em metacrilato, 100x150cm
Aquisição por intermédio da AAMACRS/ Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, 2012
Aquisição
Aquisição por intermédio da AAMACRS/ Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, 2012
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
A produção de Carlos Vergara (Santa Maria/RS, 1941) atravessa diversas materialidades e processos, partindo da busca de um espectador disposto a encontrar o prazer mediante a complexidade de suas obras. Com o desejo de uma função social definida, ele entende que cabe à arte dizer por si a que veio. Entre a intenção e o gesto, no início dos anos 1970 Vergara se aventurou pela fotografia de rua como forma de deixar a introspecção de seu ateliê, de forma a sentir a urgência do momento em coletivo.
Vergara captura a dualidade dos momentos de êxtase e exaustão do Carnaval, compreendendo-o como mecanismo de coesão social que subverte relações de poder e propriedade, acreditando na cumplicidade entre observado e observador. O bloco criado por jovens negros da periferia de Ramos no subúrbio carioca trazia uma postura política ao definir uma sociedade horizontal onde todos eram caciques, propondo reflexões que atravessam o racismo estrutural brasileiro.
Vergara participou do Ciclo Arte Brasileira Contemporânea em 1993 com uma exposição de pinturas que se assemelham ao método da gravura e do registro fotográfico. A partir de um estudo de sobreposições mesclado ao imprevisto, sua intervenção se dá no avesso da tela, perdendo o controle do resultado no contato entre a resina e o pigmento natural - extraído de uma antiga estação de ferro em Ouro Preto. Impregna em suas criações esse pigmento sem conotações simbólicas, onde a paisagem é a matriz da criação, tendo em vista que as monotipias guardam memórias do local em que foram produzidas. Interessa-se pelo desafio de trabalhar com uma variação restrita de cores, buscando o prazer da surpresa a partir do investimento na matéria e sua superfície.
Autoria
Comentários/Dados históricos
A obra é datada de 1972, de autoria do artista Carlos Vergara (1941, Santa Maria/RS), intitulada “Poder”. Afotografia apresenta um registro do Carnaval às margens do bloco Cacique de Ramos, na Central do Brasil. Segundo Vergara, o Cacique de Ramos o interessou também, pois trazia uma questão política nos anos 1970, onde o artista acompanhou de perto entre 1970 e 1976. Um, dos três, homens presentes na imagem do artista é Sidney de Araújo Lima, que comentou o momento que foi fotografado: “Três homens negros, sem camisa, com o cabelo descolorido, na ditadura militar, eram tidos como vagabundos. Naquele dia, fomos presos. Mas viemos de trem, de Oswaldo Cruz, para divulgar nossa equipe de soul, Alma Negra. Era o Carnaval de 1972. Nós tínhamos uma ala na Portela que era a ala do poder. Para não usar o power, do black power, escrevemos -poder-”. A reedição digital da histórica série do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, foi doada ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), por meio da Associação de Amigos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (AAMACRS), após a associação adquirir as obras através do projeto “MAC-21”, que teve curadoria de Paulo Gomes, na seleção dos artistas e das obras. O projeto “MAC 21” recebeu o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, em 2010, e foi executado entre 2011-2012. Prêmio este, que teve como objetivo a aquisição de obras destinadas ao preenchimento de lacunas pontuais em acervos de instituições museológicas, públicas e privadas. A obra foi apresentada ao público, como acervo do museu, na exposição “Arte Contemporânea RS”, que aconteceu entre 04 de maio a 22 de agosto de 2021, com curadoria de Maria Amélia Bulhões
Exposições e prêmios
- Exposição: MAC 21 - Um Museu do Novo Século. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2014-2015.
- Exposição: Arte Contemporânea RS. Galeria Sotero Cosme, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2020- 2021.
- Exposição: Palácio Contemporâneo. Ala Governamental, Palácio do Piratini, Porto Alegre, RS, 2022.
- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS, Recorte Língua Viva. Galeria Edmundo Rodrigues, Complexo Palacete Pedro Osório, Bagé, RS, 2022.
- Relações de Pesquisa: processo, experimentação e acervo, 2023-2024, Galeria Xico Stockinger, MACRS
Histórico de publicações
BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Porto Alegre: Digrapho Produções Culturais, 2021. p.71. Catálogo de Acervo. Disponível em: https://acervomacrs.wpcomstaging.com/catalogo/. Acesso em 03 de junho de 2022.
CASTRO, Maurício. “Dos 7.000 componentes eu sou 1”: Carlos Vergara e a ditadura militar; tempos sombrios e o carnaval como espaço de criação na arte contemporânea”. Arte & Ensaios | Revista do ppgav/eba/ufrj, n. 35 , 2018, p. 131. Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/download/12869/11440 , Acesso em 06 de junho de 2022.
CASTRO, Maurício. Carnaval-Ritual: Carlos Vergara e Cacique de Ramos. Cobogó; 1ª edição, Rio de Janeiro, 2021, 192 páginas.
GOMES, Paulo. O Projeto MAC-21: Compartilhando uma experiência de exceção. Porto Alegre/Brasil, 2021. p. 08. Disponível em: http://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 23 de junho de 2022.
CARDOSO, Rafael; DINIZ, Clarissa [org]. Do valongo à favela; imaginário e periferia. Museu de Arte do Rio. Rio de Janeiro: Instituto Odeon, 2015, Reprod, p. 01-05. Disponível em: https://museudeartedorio.org.br/wp-content/uploads/2019/07/preview_valongo.pdf , Acesso em 23 de junho de 2022.
OSORIO, Luiz Camillo. Carlos Vergara: poética da exuberância. Catálogo da exposição realizada na Fundação Iberê Camargo e Museu de Arte do Rio Grande do Sul. fev-mai. 2024. Porto Alegre: Fundação Iberê Camargo, 2024. 60p.
Eventos relacionados
Relações de Pesquisa: processo, experimentação e acervo | Em Caso de Emergência
Mídias relacionadas
“A fotografia sempre esteve comigo, desde sempre fotografei e pintei. Ela era também um caderno de anotação ou base para produzir os trabalhos. Essa fotografia que eu escolhi para este artigo, chamada Poder, registrei as margens do bloco Cacique de Ramos, na Central do Brasil. O Cacique de Ramos me interessou também pois trazia uma questão política nos anos 1970. Eu acompanhei muito de perto entre 1970 e 1976. Fiz uma exposição apresentando esse trabalho em 1972, que era para ser uma individual e eu transformei em uma coletiva e chamei amigos como Gerchman, Waltércio e Helio Oiticica, que era muito amigo e foi um grande incentivador dessa minha relação com a chamada arte popular. Na verdade, conversávamos sobre uma dimensão mais profunda do Carnaval, um grande ritual popular de passagem do tempo. Essa foto do Poder mostra a situação em que nós vivíamos politicamente na época e o Cacique escolhia ser uma sociedade horizontal onde todos são caciques. Dos sete mil, eu sou um. Olhar para fora e olhar para dentro sempre foi uma característica da minha ação artística. Não sou um artista isolado do mundo. Essa possibilidade de trabalhar com o Cacique foi muito gratificante e me ensinou muito, aproximou-me da produção anônima, do desejo de discurso político que existe na população como um todo. Uma ação de discurso artístico popular”. (VERGARA, 2019). Disponível em: https://dasartes.com.br/materias/carlos-vergara-por-ele-mesmo/. Acesso em 06 de junho de 2022.
|“Os três homens negros da fotografia de Vergara, que viviam em um contexto onde a ditadura estava instaurada, reivindicavam de maneira direta, ou não, durante o carnaval da década de 1970, com o escrito “poder” no peito, o que os negros e negras de hoje ainda reivindicam, em 2019.A proposta de ter um “olhar para fora”, na minha observação, é na verdade olhar para além da realidade individual, é olhar para o cerne da realidade social do país, onde, de fato, a população é mediada através das implicações sociais às quais estão sujeitas, como a questão racial, nesse contexto que está sendo analisado neste ensaio. A preocupação de Vergara ao olhar para esse bloco, ao estudar o carnaval me parece única no sentido da preocupação social e não do trabalho fotográfico impecável em si. Vai muito além de fazer um trabalho de fotografia com excelência”. Disponível em: https://www.studocu.com/pt-br/document/universidade-estadual-de-campinas/historia-da-arte-ii/um-depoimento-visual-fotografia-poder-registro-de-carlos-vergara/13651475. Acesso em 06 de junho de 2022.
|Color grading Videoclipe A CARNE - Elza Soares. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=kQf717_0LLg&t=2s&ab_channel=Jo%C3%A3oMoreira-Colourist. Acesso em 06 de junho de 2022.
|“Manifestações contra o fascismo e o racismo tomaram conta do Brasil no último domingo (7). Em São Paulo, manifestantes se reuniram no Largo da Batata, em Pinheiros. O modelo e ator Zoe Alexandre, 36 anos, estava entre eles e tinha muito a dizer. No meio da multidão, ele foi notado pela fotógrafa Isabel Praxedes, 22 anos. Alexandre diz se sentir honrado de ter se tornado símbolo dessa luta. “Fiquei surpreso [com a repercussão da foto]. Tenho recebido algumas mensagens. Minha inspiração veio de uma foto de Carlos Vergara, no bloco carnavalesco Cacique de Ramos, na Central do Brasil, no Rio de Janeiro”, explica”. (Cavicchioli, 2020). Disponível em: https://br.noticias.yahoo.com/conheca-a-historia-por-tras-da-foto-que-marcou-protesto-contra-racismo-e-fascismo-205223806.html?guccounter=1&guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&guce_referrer_sig=AQAAADjB5VCSltC0OaNu0Nne3U0QYtwVT1B2lCAXoYKN7j8nQP6l7w-SUULuSKZgEHS5-bo7w4R2pmW3AQ_kPYJMM0kUAcyQXvx7Bulh8z7Js_Z1zVlyhPKvrOwgBK4C0GYzLkjq3J6v-XR44aeFPAHL0Wyc8sqDr3KDkowqkpKlbzNd. Acesso em 06 de junho de 2022.
|“Este é Sidney de Araújo Lima, o homem à esquerda no verso da capa do catálogo Do Valongo à Favela: imaginário e periferia, quase 45 anos depois. À direita está seu irmão, Luiz de Araújo Lima. Sidney nos contou um pouco sobre o momento em que foi fotografado pelo artista Carlos Vergara, na Central do Brasil: “Três homens negros, sem camisa, com o cabelo descolorido, na ditadura militar, eram tidos como vagabundos. Naquele dia, fomos presos. Mas viemos de trem, de Oswaldo Cruz, para divulgar nossa equipe de soul, Alma Negra. Era o Carnaval de 1972. Nós tínhamos uma ala na Portela que era a ala do poder. Pra não usar o power, do black power, escrevemos -poder-”.( CASTRO, 2018, p. 131). Disponível em: https://revistas.ufrj.br/index.php/ae/article/download/12869/11440. Acesso em 06 de junho de 2022.
|"Visitar o ateliê de Carlos Vergara (Santa Maria,RS, 1941) foi um privilégio: a recepção cuidadosa do artista, a atenção de sua equipe de trabalho e a possibilidade de privar da convivência com um artista de referência na arte brasileira desde os anos 1960. A presença de Vergara no Rio Grande do Sul tem sido constante, seja pelas exposições que fez em galerias e pela sua participação nas Bienais do MERCOSUL, mas carecia de representação em uma coleção pública. A escolha do trabalho para integrar o acervo do MAC foi feita em comum acordo foi uma fotografia da histórica série do bloco carnavalesco Cacique de Ramos, obra de referência na arte brasileira dos anos 1970, agora em reedição digital e tamanho ampliado". (GOMES, 2013, p. 08). Disponível em: https://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 23 de junho de 2022.
|"A série do carnaval, no início dos anos 1970, começa a partir desta virada exterior, deste desejo de vida pulsando nas esquinas. [...] A festa popular não era olhada pelo lado folclórico, mas pela sua capacidade de resistência ao status quo, pela produção de formas de vida e de comportamentos heterogêneos. O foco desta série é o bloco Cacique de Ramos e seus desfiles pelas ruas do centro do Rio. Evidencia-se aí o enfrentamento, ou melhor, o enlouquecimento das convenções. [...] A desorganização dos blocos dava-lhes um suplemento de potência política. Como observou o artista, "eu via as escolas de samba, mas eu queria uma outra coisa. A área, vamos dizer assim, das sombras." Disponível em: OSORIO, Luiz Camillo. Carlos Vergara: poética da exuberância. Catálogo da exposição realizada na Fundação Iberê Camargo e Museu de Arte do Rio Grande do Sul. fev-mai. 2024. Porto Alegre: Fundação Iberê Camargo, 2024. p.8.