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Photo Color
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Miniatura

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Número de registro
MAC1256
Título
Photo Color
Autoria
Ano
2010 | 2011
Denominação
Material/Técnica
Dimensões
41 x 65 cm
Duração (minutos)
7'56
Tamanho do arquivo (MB)
905MB
Notas descritivas
Doada pela artista, a obra é composta por uma fotografia e um vídeo com duração de 07’ 58’’, dos anos de 2010 e 2011. A imagem em destaque é um fragmento do início do vídeo. Nela, é possível perceber em primeiro plano, no centro da imagem, um quiosque para impressão de fotografias coloridas com a fachada branca com marcas sutis de pichações, e marcada por uma faixa vermelha horizontal próxima ao chão. Na parte superior do quiosque, está escrito “color PHOTOS - BUTTONS” em vermelho. Logo abaixo, próximo ao centro do quiosque encontra-se escrito “PHOTO-ON-A” em azul e abaixo está escrito a palavra “button” em branco dentro de um círculo vermelho. Atrás do quiosque, em último plano, encontram-se outros quiosques e uma roda-gigante em frente ao céu azul-claro, cortada pela imagem.
Palavras-chave
Texto para etiqueta
MARINA CAMARGO
(Maceió, AL, Brasil, 1980)
Photo Color, 2010-2011
Video HD, 9:16, cor, 07’58” e fotografia, 41 x 65 cm
Doação artista
Aquisição
Doação artista, 2012
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
A obra “Photo Color” é composta por uma fotografia e um vídeo. Durante os 7:58 minutos de gravação, o plano registrado é um só: um quiosque de fotografia colorida que está fechado. Neste tempo, a imagem da lateral do local releva o reflexo da variação de luz e sombra que se projeta sobre uma superfície prateada. Essas projeções nos permitem perceber pequenos acontecimentos que ocorreram ao redor do quiosque no decorrer das horas, constituindo o que a artista denomina como uma fotografia estendida no tempo, ou em outras palavras, uma metáfora do que originou a prática da fotografia: a captura de projeções de luzes em uma superfície de prata. Junto ao vídeo, no conjunto da obra, é mostrada a imagem impressa onde se vê o mesmo quiosque de outro ponto de vista.
Comentários/Dados históricos
A fotografia está presente em meu trabalho como registro de acontecimentos ou ações, como parte da elaboração de ideias, em nome de um desenho ou concepção conceitual, ou mesmo como um elemento de reflexão sobre a própria imagem.
No trabalho Photo Color, é a própria fotografia que está em questão, ainda que a mídia do trabalho seja também vídeo. Durante os 7:58 minutos de vídeo, o plano registrado é um só: um quiosque de fotografia colorida que está fechado. Neste tempo, observa-se o reflexo da luz do sol no entardecer sobre uma pintura prateada no mesmo quiosque e a sombra das pessoas que por ali passam.
A imagem do vídeo faz com que em alguns momentos se pense que estamos diante de uma fotografia - e não um vídeo.
Os acontecimentos mínimos que ocorrem nesta cena remetem ao próprio processo fotográfico: a imagem é projetada na gelatina de prata (no vídeo, na pintura prateada do quiosque); um jogo de luz acontece durante os minutos de duração do vídeo (a base da fotografia é a captação da luz).
Como numa metáfora de uma caverna de Platão, observamos - de costas para oq ue está se movimentando, acontecendo - os reflexos e sombras projetados no quiosque.
Considero este vídeo como uma fotografia em movimento, onde os mínimos movimentos e as variações de luz, cor e sombra são os elementos que constroem a sequencia de imagens.
Ao lado de Photo Color (vídeo) é disposta a fotografia homônima. O vídeo pode ser mostrado com ou sem a foto. A fotografia Photo Color mostra um outro ponto de vista do mesmo quiosque do vídeo.
Texto fornecido pela artista.
Exposições e prêmios
Exposição - "47% - Artistas mulheres no acervo do MACRS", Galeria Xico Stockinger. (2021)
|Exposição: Neblina: A Fotografia no Acervo do MACRS. Galeria dos Arcos e Galeria Lunara, Usina do Gasômetro, Porto Alegre, RS , 2014.
|Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), Pelotas, RS, 2022.
|Através da Imagem: mulheres artistas no acervo do MACRS, Galeria Augusto Meyer, MACRS, 2023
|Através da Imagem: mulheres artistas no acervo do MACRS - Itinerância Rio Grande, Galeria Incomum, Rio Grande, RS, 2024
Histórico de publicações
BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Digrapho Produções Culturais, Porto Alegre, 2021. p.205. Catálogo de Acervo. Disponível em: https://acervomacrs.wpcomstaging.com/catalogo/ . Acesso em 03 de junho de 2022.
Mídias relacionadas
[...] “Photo Color” (2010) foi filmado em Coney Island, Nova York, no inverno de 2009-2010. Trata-se de um vídeo de pouco mais de 7 minutos, no qual pode-se observar a variação de luz e sombra sobre a superfície de um quiosque de fotografia. Há pouca ação no vídeo, mas uma intensa variação de cores, de intensidade de luz sobre uma pintura prateada, onde é possível ver a movimentação de algumas pessoas ao lado do quiosque. Há ainda um pequeno papel amarelo que se move com o vento. Toda a cena aproxima-se de uma espécie de fotografia que se desdobra no tempo. Entendo “Photo Color” como uma fotografia estendida no tempo, embora seja claramente um vídeo. Essa natureza da imagem captada que não é necessariamente a imagem fotográfica, embora pareça ser um comentário sobre a natureza da fotografia (a projeção da luz sobre a superfície de prata, o próprio texto indicando Photo, uma caixa – o quiosque – onde se encontra o dispositivo de fixação da imagem, que não vemos o seu interior). “Photo Color” é uma derivação da experiência com a fotografia (num certo sentido, é inclusive fruto de um acaso, a captura de um momento específico), sendo, possivelmente, um momento de transição no meu trabalho. O vídeo (como mídia/meio) começa a fazer parte da minha linguagem, como uma espécie de descendência dessa experiência primeira com a fotografia (inicialmente com a foto analógica, logo com a digital). Assim, o vídeo em meu trabalho deriva da imagem estática, e não da imagem cinematográfica. Muitos anos após “Photo Color” ser filmado, encontrei /conheci uma fotografia de Walker Evans, que não apenas me fascinou, mas me fez retomar e reinterpretar a experiência com esse trabalho. A fotografia de Evans mostra também um quiosque de um estúdio fotográfico, onde é possível ler a palavra “foto” (photo) repetidas vezes, em uma espécie de tautologia da imagem (a fotografia que mostra o lugar onde se faz fotografia, onde está escrito fotografia). A foto foi tirada em 1934, em Nova York. Dentro da obra de Walker Evans, poderíamos fazer uma leitura dessa imagem ao lado de uma série de outras muitas fotografias nas quais o texto de placas e escritos na cidade parecem objetos, situando-se entre imagem e texto (ou sendo simultaneamente imagem e texto). Aqui, desloco a imagem de Walker Evans de seu contexto original (de sua obra) para pensar sobre “Photo Color”. Com isso, não pretendo alterar o status do trabalho Photo Color a algo semelhante ao trabalho de Evans, mas sim compreender elementos sobre a fotografia que não me eram claros até então. Encontro Walker Evans nesse lugar que é a cidade de Nova York, no que restou de uma Nova York do passado (que era contemporânea de Evans). É um encontro deslocado no tempo, mas situado num lugar, que é essa cidade. Hoje, também a cidade onde filmei Photo Color já não existe mais, esse quiosque de fotografia em Coney Island certamente não está mais lá, o que volta a me aproximar da vivência de Evans de décadas atrás (quase século atrás)". (CAMARGO, 2022)