Comentários/Dados históricos
Foi uma experiência vivida em campo desativado de mineração de carvão em Arroio dos Ratos. Da pretensão simples de reconstruir um espaço vago (área de piso de um intervalo entre construções encontrada no centro da cidade de Arroio dos Ratos) sobre um terreno vago (campo de rejeito na periferia da mesma cidade), desenrolou-se uma aventura que conduziu o trabalho a um desfecho surpreendente, envolvendo o setor de obras públicas e a Festa da Melancia municipais.
Por Maria Helena Bernardes
| Intitulada Vaga em Campo de Rejeito, a ação apresentada neste filme foi realizada entre setembro de 2001 e janeiro de 2002, no município de Arroio dos Ratos, no Rio Grande do Sul. Produzido dentro do quadro de atividades do projeto Areal, o filme documenta o último ato da aventura iniciada por Maria Helena Bernardes a partir da descoberta de um curioso intervalo entre dois prédios na zona central da cidade.
Vazia, sem uso e aparentemente sem dono, a "vaga" encontrada pela artista se tornou personagem de uma longa ação coletiva que culminou na empreitada de reproduzí-la sobre uma clareira estéril, de aparência lunar, cercada por pilhas de carvão rejeitado, no terreno de uma mineradora desativada. Movidos pela sorte e por incidentes insólitos, os eventos que aqui se desenrolam ocorreram entre a manhã e o entardecer do dia 11 de janeiro de 2002 quando, ao visitarem o local, Maria Helena Bernardes, André Severo, Elaine Tedesco e Paula Krause foram surpreendidos pela cascata de imprevistos, também registrados casualmente, que testemunham o engajamento não planejado de pessoas - mestres de obras, pedreiros e técnicos municipais, entre outros — que dedicaram uma jornada de suas vidas para viabilizar a materialização de um vazio sobre outro.