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Tartaruga
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Miniatura
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Número de registro
MAC1040
Título
Tartaruga
Série
Peludos
Autoria
Ano
1990
Denominação
Dimensões
134,5 x 106 x 13 cm
Descrição
A obra “Tartaruga” de Lia Menna Barreto, datada do ano de 1990, é uma produção escultórica em arte têxtil que se assemelha a uma tartaruga ou jabuti, conta com as dimensões de 134,5 x 106 x 13 cm. A obra é materialmente composta por espuma, revestida por tecido sintético felpado e unida em suas partes através de zíperes e costuras. Possui olhos de vidro amarelos e quatro patas, seu corpo é verde com um padrão quadriculado em marrom em sua extensão. A obra tem forma circular, achatada, e se divide em quatro partes triangulares, interligadas por zíperes que dividem e conectam a obra horizontalmente e verticalmente. O tecido interno de suas quatro partes, inicialmente pouco aparente, tem coloração vermelha vibrante, e se torna visível em sua totalidade ao abrir os zíperes, desconectando suas partes.
Ficha Técnica
LIA MENNA BARRETO
Rio de Janeiro, RJ, 1959
Tartaruga, 1990
Série Peludos
Espuma, pêlo sintético, zíper, tecido e olhos de vidro, 134,5 x 106 x 13 cm
Doação artista, 2014
Aquisição
Doação artista, 2014
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Comentário Crítico
Texto Crítico
Lia Menna Barreto trabalha nesta obra, em linhas técnicas, com a ruptura do uso de materialidades rígidas para a produção escultórica, a maleabilidade da espuma compõe a estrutura interna da carne e dá forma ao ser, enquanto o tecido compõe as camadas da derme e do casco, proporcionando cor e textura. Esta ordem produtiva contrapõe a rigidez da escultura tradicionalmente reconhecida, troca o material inorgânico pelo orgânico, para representar o último em vida e afinidade, na imagem de uma tartaruga, criando artesanato como processo, pela meticulosa manipulação do material e da técnica de costura, e arte como intenção e apropriação da matéria. Sua forma, composição e estrutura, carrega também em si sentidos, da forma reconhecemos uma tartaruga, animal simbólico de resistência, rigidez e longevidade, mas que antagonicamente se reverte em sentido ao observarmos sua composição, esta tartaruga não tem uma pele escamosa e um rigoroso casco, mas sim suavidade, calor e maleabilidade, adjetivos que também podemos relatar à infância, objeto de estudo e produção recorrente da artista na dimensão afetiva. Esta tartaruga também, este simulacro, como outros produzidos por Lia, encontra-se em discordância de sua contrapartida real, ela se vê conectada em partes que quando devidamente abertas, livres de seus mecanismos de defesa, exibem sua carne rubra, não protege suas entranhas em forma fechada, mas sim mostra irremediavelmente sua vivacidade e sua brasa, assim como a infância, quando libera de si a pura vida que contém.
Autoria
Comentários/Dados históricos
“Eu perverto, sim, o significado das coisas: um brinquedo é um objeto inanimado; eu injeto calor e ele se move, toma vida; eu corto a cabeça dele, e o ar, lá de dentro, é liberado, ganha o espaço”. Complementou: “perverto o significado da boneca quando a retiro do contexto da infância e a trago para o mundo adulto do artista”. Texto de Maria Helena Bernardes, disponível em https://lia-mennabarreto.blogspot.com/2009/03/texto-m-helena.html Acesso 08/10/2024
Exposições e prêmios
Exposição - Arte Contemporânea RS, Galeria Xico Stockinger, MACRS (2020/2021)
|Exposição - Lia Menna Barreto: A boneca sou eu — Trabalhos 1985-2021, MARGS (2021)
|Exposição Lia Menna Barreto - Exposição Individual, Galeria Thomas Cohn, Rio de Janeiro, 1990.
|Exposição - Entre materialidades e poéticas: as crianças pequenas e o acervo do MACRS, Galeria Augusto Meyer, MACRS (2024)
|Exposição - Museu de Arte Contemporânea de San Diego, EUA, 2000.
|Exposição: MAC, Mostra itinerante. Galeria Sotero Cosme, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 1999.
Histórico de publicações
BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Digrapho Produções Culturais, Porto Alegre, 2021. p.161. Catálogo de Acervo. Disponível em: https://acervomacrs.wpcomstaging.com/catalogo/ Acesso em 03 de junho de 2022.
|HERKENHOFF, Paulo. Quase brinquedos de Lia Menna Barreto. In: BARRETO, Lia Menna. Lia Menna Barreto: ordem noturna. Rio de Janeiro: Thomas Cohn Arte Contemporânea, 1995.
|BOHNS, Neiva. dos objetos nascem objetos. 2003. Disponível em https://lia-mennabarreto.blogspot.com/2008/02/neiva-bohns.html . Acesso 08/10/2024
|COCCHIARALE, Fernando. Lia Menna Barreto. Galeria: Revista de Arte, São Paulo, n. 23, p. 82, 1990.
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A Infância Como Matéria-prima - Sobre o trabalho da artista plástica Lia Menna Barreto
Lia Menna Barreto, a gaúcha escolhida para a próxima Bienal do
Mercosul, cuja exposição pode ser vista na Bolsa de Arte, é uma menina
levada que estraga brinquedos. Ela desmonta, derrete, perfura e rasga,
mas também é uma mulher prendada que borda, tece, costura e cola. Para
quem assistiu ao filme Toy Story, ficará mais fácil compreender a
pueril comparação que vou fazer.
Neste são contrapostos dois meninos. O bonzinho mantém seus brinquedos
como vieram da fábrica. O mau transforma-os: produz brinquedos
sinistros numa espécie de oficina infernal, em que queima, explode,
combina e cria. A moral do filme é que estas incríveis criaturas, como
Frankensteins revoltados, odeiam o criador. O problema é que estes
brinquedos do menino mau são fantásticos, ímpares e corajosos,
enquanto o herói, um insosso astronauta de plástico, só sai de sua
crise de identidade quando descobre que o nome de seu dono bonzinho
foi escrito em seu pé. Lia é como este genial menino mau. Derretendo
com um ferro de passar roupa, ela pode transformar uma série de
brinquedos e flores de 1,99, em colchas e rendados desde onde olhos,
patas e cores disputam o privilégio de serem vistos. Cabeças de
bonecas ao avesso mostram a feiura de seus olhos saltados ou de ponta
cabeça servem de vasos em que nascem plantas no lugar de seus corpos
sem vida.
Brincar é corromper os objetos, dominá-los, subjugá-los ao nosso
texto. Quem não cortou os cabelos de uma boneca, não esquartejou um
personagem, não rasgou, derreteu, sujou, pintou, não brincou. Ao mesmo
tempo é importante que os brinquedos existam em sua forma original
para que sejam a seguir transformados. A boneca e o carro, por
exemplo, se prestam para dramatizar questões do feminino e masculino.
Todo o brinquedo contém uma série de referências das quais se pode
recolher a fatia que interessa para a ocasião. Quando crianças também
somos moldados, montados e desmontados ao bel prazer daqueles que nos
amam e criam. Por isso se diz que brincar é fazer ativamente aquilo
que sofremos passivamente, é um exercício subversivo por parte da
criança, que faz com os objetos o mesmo que fazem com ela. Lia sempre
ressalta o caráter afetivo de sua operação aparentemente macabra.
Talvez ela tenha razão, o calor do amor também sabe ser como o do
ferro de passar roupa que ela usa: derrete e deforma, nunca mais se
será o mesmo depois dele.
Diana Corso - texto disponível em https://lia-mennabarreto.blogspot.com/2014/11/a-infancia-como-materia-prima-sobre-o.html . Acesso 08/10/2024
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