Almandrade já atuou como arquiteto, professor, poeta e artista plástico, tendo iniciado sua carreira em 1970 . Ao longo dos anos, articula a arte neoconcreta e conceitual.
A obra em questão evidencia as características voltadas a geometria, linguagem e conceito, que são marcas do artista. Seja em desenhos, esculturas, serigrafias ou pinturas, explora a simplificação de formas como veículo da linguagem. Com caráter experimental, por meio de abordagens não convencionais de diferentes materiais, o artista exige atenção redobrada do observador.
O campo de futebol representado não se configura plenamente como tal. Um elemento simples de metal, localizado no meio da forma retangular, descaracteriza o campo, sendo colocado em um local não habitual. Assim, posiciona o olhar diante de uma incógnita, trazendo o caráter de subversão dos códigos.
A pintura se apresenta através de uma composição organizada e sintética, que não foge da concepção de outros trabalhos do artista. A obra sugere uma forma simplificada, que em um primeiro momento pode ser subestimada pelo observador, mas é no mínimo de elementos que o artista reivindica que algo seja descoberto.
Almandrade foi um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista “Semiótica” em 1974. O artista diz que “pensar a política é pelo interior da linguagem”.
Ao modificar elementos, transforma os signos e convida à reflexão. Nesse sentido, a obra é ativada pelo espectador, à medida que o campo não chega pronto, mas precisa ser formulado. Como o jogo acontece? Quais são as regras? Esse deslocamento das normas se torna possível por um nível de ludicidade que Almandrade escolhe ao lidar com os códigos na arte. Nesse caso, sem um campo pronto, sugere ao espectador criar as regras e tornar ou não o jogo possível.