-
Raiz que se alastra
- Voltar
Miniatura

Compartilhe
Número de registro
MAC0900
Título
Raiz que se alastra
Autoria
Ano
2013
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
25,2 X 40 cm
Edição/estado
3/3
Notas descritivas
A obra “Raiz que se alastra” possui formato retangular, compreendendo medidas de 40 x 25,2 cm. Trata-se de um trabalho em arte digital, realizado no computador, repleto de cores, que vão desde um amarelo e vermelho primários, até tons de azul, claro, médio, escuro e muito escuro, um verde folha, cinza médio, um marrom acobreado, branco e preto. As formas que compõem a imagem são abstratas e complexas, organizadas por blocos irregulares e imprevisíveis de cores que remetem a técnica do mosaico. Na parte externa da imagem os blocos de cores são mais amplos, e há predominância de tons de azul, vermelho e amarelo. No interior os blocos de cores vão diminuindo suas dimensões conforme se aproximam do centro do trabalho. Nota-se diferentes espessuras e tratamentos de linha, observando-se linhas finas, vermelhas, tracejadas na fração inferior esquerda da imagem e uma mancha vermelha com bordas pouco definidas ao centro da parte superior.
O azul predomina nas margens externas superior, esquerda e inferior. Na margem externa direita há azul na parte central e amarelo na fração superior e inferior. Contornando as figuras que aparecem ao centro da imagem há forte presença de linhas vermelhas, que alternam entre duas espessuras: linhas mais grossas à esquerda, parte inferior e direita da obra, e linhas mais finas na parte superior. Ainda na parte superior da imagem, há presença de linhas amarelas espessas.
Ao centro da imagem vê-se o que parecem ser três figuras: Uma primeira, que se assemelha a uma figura humana ou a uma garrafa, e outras duas que parecem humanóides.
Na primeira figura, à esquerda, que possui bordas bem definidas em linhas pretas de espessura média, há formas irregulares azuis e vermelhas, algumas verdes, poucas amarelas e brancas e uma em tom alaranjado, próximo ao que parece um gargalo, que possui uma forma retangular dividida em duas cores e com uma forma circular vermelha sobreposta. Ao centro desta figura, no que parece o corpo do objeto, há um círculo vermelho com bordas pretas.
A segunda figura, ao centro da imagem e mais ao fundo, em relação às outras figuras, se assemelha a uma pessoa em um ângulo frontal, levemente girado em direção à primeira figura. É possível identificar características que se aproximam de pernas, compostas por formas azuis, e um tronco, formado por linhas pretas e interior em cinza com listras verticais brancas, além de uma forma vermelha que compõe com o cinza. A parte superior dessa figura é composta por um retângulo alongado no sentido vertical e um círculo, ambos com preenchimento preto e sem bordas.
A terceira figura, à direita e à frente da figura central, também se assemelha a uma pessoa, desta vez de perfil. É possível identificar o que parecem ser pernas, em uma forma preta, e um tronco, também composto por formas em tons de cinza e riscos brancos, porém, esta, acompanhada de outras formas em azul claro e médio, vermelho e amarelo, todas com linhas de borda pretas. Como uma cabeça, vê uma forma que se assemelha a um rosto de perfil e possui formas brancas no topo, parecendo um chapéu ou cabelo. A figura está com o que parece ser sua frente, direcionada para fora da imagem, a extremidade direita da obra.
Texto para etiqueta
PELÓPIDAS THEBANO
(Porto Alegre, RS, 1934 - 2022, Porto Alegre, RS)
Raiz que se alastra, 2013
Ilustração digital em impressão Fine Art sobre papel Hahnemühle Photo Rag 308 gsm, 3/3
25,2x40cm
Doação de Regina Parente/ XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas
Aquisição
Aquisição por doação de Regina Parente/XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, 2022
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Comentários/Dados históricos
A obra é datada de 2013, de autoria do artista Pelópidas Thebano (1934, Porto Alegre, RS - 2022, Porto Alegre, RS), e intitulada Raiz que se alastra. O trabalho faz parte de uma das ações vinculadas à exposição virtual “Raiz que se alastra” a partir da homenagem ao artista, no XIV XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas. A obra é um dos três múltiplos impressos e doados pela filha do artista, Regina Parente, aos acervos da Pinacoteca Aldo Locatelli, Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS) e Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS).
Exposições e prêmios
- Exposição Virtual: Raiz que se alastra. Realizada pelo Instagram (@artesvisuaispoa), Pinacoteca Ruben Berta [org], Porto Alegre, Brasil, 2021.
|- Exposição: MACRS +D, Galeria Augusto Meyer, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 3° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2022.
Histórico de publicações
MENDONÇA, Mitti [org]. Pelópidas Thebano: Raiz que se alastra. Pinacoteca Ruben Berta, Porto Alegre, 2021, p. 11. Catálogo de Exposição. Disponível em: https://www.pinacotecaspoa.com/_files/ugd/02862a_e33751e77c014bb08409c66a9763d030.pdf. Acesso em 23 de novembro de 2022.
Eventos relacionados
Mídias relacionadas
"Ao olhar o Painel Afrobrasileiro percebo todas essas questões se materializarem, desde o título, em que os termos “afro” e “brasileiro” foram escritos juntos, propositalmente, com o intuito de exprimir coesão, até as linhas e juntas que formam a imagem no painel e lembram infinitas fronteiras. A obra é um mosaico cerâmico idealizado pelo artista Pelópidas Thebano e executado por Vinicius Vieira, e sua elaboração ocorreu em 2009, durante um período em que os artistas se encontravam no Castelinho Cultural do Alto da Bronze para dialogar e compor os marcos visuais do museu, juntamente com o griô Nilo Feijó, o coordenador Nego Lua e Iosvaldyr Bittencourt, todos contribuindo ativamente nas etapas de concepção artística dos projetos. Pelópidas Thebano fez inúmeros estudos até chegar ao desenho final do painel. Posteriormente, foi realizado um extenso trabalho para que em sua execução a obra apresentasse a mesma intensidade de cores que o modelo original. O painel é formado por pequenos fragmentos de cerâmica com cores vibrantes de verde, amarelo, vermelho, preto, cinza e laranja, que formam um conjunto com figuras pretas que se sobressaem em meio a uma trama de recortes geométricos e linhas sinuosas, evocando a visualidade e a ocupação negra do espaço, evidenciando também sua história e resistência. O trabalho recebeu autorização para execução em 2011, mas os recursos para sua construção só foram alcançados em 2014, quando a IV Etapa do projeto do museu foi selecionada pelo edital do Prêmio Funarte de Arte Negra. No catálogo desenvolvido especialmente para essa fase do projeto, Vinicius Vieira relata alguns detalhes da confecção do mosaico e explica que antes da finalização da obra, com a moldura de aço inoxidável, foi aplicado um rejunte escuro que além de unir os fragmentos cerâmicos coloridos, contribui para que as peças aparentem uma unidade, diluindo a composição heterogênea da obra. O Painel Afrobrasileiro foi inaugurado no dia 20 de novembro de 2014, Dia Nacional da Consciência Negra, data idealizada pelo poeta, professor e pesquisador gaúcho Oliveira Silveira, e instalado no muro do Chalé da Praça XV de Novembro. Localizado em um dos principais pontos de circulação da cidade, caracterizado como um espaço de encontros democráticos, palco de diferentes manifestações políticas e culturais. As cores presentes no Painel conversam com o tom das pedras onde estão fixadas e ao mesmo tempo contrastam com a sobriedade dos edifícios históricos e as nuances cinzentas típicas dos centros urbanos. O mosaico parece replicar no equipamento urbano a técnica aplicada na obra. Assim como os fragmentos coloridos, o painel é uma pequena parte do conjuntode marcos que integram o acervo do Museu de Percurso de Percurso do Negro e que preenche alguns vazios da arte pública de Porto Alegre: a carência de obras muralistas e a escassa expressão artística negra na cidade." (MARAFIGA, 2021, p. 23-24). Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/234995/001137013.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em 23 de novembro de 2022.
|"As figuras desenhadas por Thebano apresentam aos passantes os lanceiros negros, as quitandeiras, os sambistas, os batuqueiros, os capoeiristas, os negros injustiçados, os trabalhadores, crianças, estudantes e mulheres negras que contribuíram para o desenvolvimento da cidade exteriorizando os caminhos por eles percorridos e que podem ser visitados através do Museu de Percurso do Negro em Porto Alegre. O marco materializa uma contribuição e uma visualidade que por muito tempo foi invisibilizada, reconfigurando significados e fortalecendo um olhar positivo em relação à presença da comunidade negra, expressando nos espaços públicos e sociais sua identidade." (MARAFIGA, 2021, p. 35). Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/234995/001137013.pdf?sequence=1&isAllowed=y . Acesso em 23 de novembro de 2022.
|"A exposição RAIZ QUE SE ALASTRA tem a honra de celebrar os mais de 87 anos de existência do artista plástico Pelópidas Thebano Ondemar Parente. Depois dos mais de 50 anos exercidos no serviço estadual como desenhista técnico, o artista dedicou-se à pintura, ganhando projeção e reconhecimento. A fusão de cores fortes e vibrantes é característica que assina suas pinturas, demonstrando o domínio pleno de Pelópidas Thebano sobre a teoria da cor. Os elementos figurativos, linhas, formas geométricas e abstracionismos guiam o olhar por cenas de enredos em diferentes perspectivas, como mosaicos, pulsando uma visão ancestral através de tons análogos e complementares. Além disso, é possível perceber que Pelópidas Thebano se vale de diferentes técnicas e materiais, como cola colorida, sobreposição de pinturas e hachuras. O continente africano é tema recorrente em suas obras, o que revela a perpetuação da sua ligação com a ancestralidade, trazendo para a atualidade e para as futuras gerações o contato com a cultura afro, suas riquezas e seus ensinamentos." (MENDONÇA, 2021, doc.eletr). DIsponível em: https://www.pinacotecaspoa.com/c%C3%B3pia-exist%C3%AAncias-ocultas . Acesso em 23 de novembro de 2022.
|"E uma das ações vinculadas a exposição Raiz que se alastra, a partir da homenagem ao artista Pelópidas Thebano, no XIV Prêmio Açorianos de Artes Plásticas, foi a impressão de 3 cópias de um de seus trabalhos (primeira foto acima) elaborados na técnica digital, no computador - estas estão ingressando nos acervos da Pinacoteca Aldo Locatelli, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS) e Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS). O trabalho evidencia a extrema habilidade do artista Pelópidas Thebano na composição de narrativas visuais. Ele mesclou não somente elementos abstratos com figurativos, em uma fusão de cores e sobreposições de linhas e formas, mas também carregou de sentidos, que nos fazem refletir sobre as heranças culturais da população negra em diáspora, trazendo como um dos pontos o violão, também instrumento que o artista Pelópidas Thebano tinha proximidade, sendo a música uma das vertentes das tecnologias ancestrais. E o artista Pelópidas Thebano também usufruiu da arte digital para planejar uma das obras que fazem parte do Museu do Percurso do Negro, Painel Afrobrasileiro, onde constam também figuras que marcam a presença negra em solo sul-brasileiro. Esta obra está localizada em frente ao Chalé da Praça XV, no centro de Porto Alegre-RS." (MENDONÇA, 2021, doc.eletr). Disponível em: https://www.instagram.com/p/CXFB9hROmIy/ . Acesso em 23 de novembro de 2022.
|"Depois de se aposentar como desenhista técnico da prefeitura de Porto Alegre, Pelópidas Thebano passou a se dedicar integralmente à pintura e à escultura, ganhando projeção e reconhecimento como artista. Sua pintura, que se vale de diferentes técnicas e materiais, inclusive cola colorida, carrega ainda as marcas do desenho. Pelópidas compôs uma série que evoca a diáspora africana e aponta seus desdobramentos nas sociedades ocidentais. Seguindo uma sequência cronológica, o artista começa pela partida forçada dos negros africanos e a chamada travessia de Calunga Grande, registrando depois a escravatura nas lavouras e, adiante, a inserção dos negros nos parques industriais das grandes cidades. A partir disso, é possível propor uma discussão sobre a influência negra nas manifestações culturais, como danças, festejos, folguedos e artes." (VERAS, 2018, p. 31). Disponível em: https://www.pinacotecaspoa.com/_files/ugd/02862a_9a1477290e6e487ca5bcd36038d13dfc.pdf . Acesso em 23 de novembro de 2022.
Itens relacionados a este
Eventos
Obras - Acervo MACRS