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Quarto Ocupado
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Miniatura
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Número de registro
MAC0234
Título
Quarto Ocupado
Autoria
Ano
2013
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
79,8 x 99,5 cm
Descrição
A tela Quarto Ocupado de 79,8 cm de altura por 99,5 de largura representa o interior de um ambiente doméstico. À esquerda, há uma cama de estrutura metálica sobre a qual repousa uma mala fechada, não há colchão mas tem um travesseiro branco. Acima da cama, na parede, estão pendurados em um cabide um casaco verde, perto da janela com vidro quebrado. Na parede ao lado direito, acima da cabeceira da cama, existem 7 objetos, em sentido horário: um retrato, um peixe desenhado em perfil, outro casaco em um cabide, um calendário, uma paisagem com trem, um quadro com bandeiras e um cartaz laranja.
No centro da composição, há um fogão branco antigo, com sinais de ferrugem e desgaste, sobre o qual estão uma panela e um bule com uma mancha escura saindo dele. Acima dele, uma luminária vermelha pendente ilumina a área. Na parede ao fundo há uma mancha branca como um desgaste. À direita do fogão, uma mesa laranja sustenta objetos: um balde cinza, um pedaço de pão com migalhas, um prato com talheres em cima de um guardanapo, uma xícara branca e uma garrafa de vidro preta.
Na parede acima da mesa pintada de cinza com marcas de desgaste, há um organizador de utensílios de cozinha com uma concha, uma colher de pau, um abridor de latas, uma peneira e um escorredor. Ao lado há uma carcaça de cabeça de boi. Após uma divisão em madeira, a esquerda há um quadro com 4 figuras humanas rodeado por notas musicais preso com fita adesiva nas quatro extremidades. Ao lado um pedaço de presunto pendurado por uma rede.
No alto tem uma janela com módulos de vidro em grade que contém a esquerda um vaso de cactos com um copo de vidro ao lado e a direita um vaso maior de cactos.
No centro da imagem, ligando todos os componentes há, em escala reduzida, postes de luz conectados por fios que atravessam horizontalmente a composição, conectando diferentes partes do espaço, criando uma sensação de continuidade entre os elementos.
Na parte inferior da imagem, elementos em escala reduzida representam uma paisagem externa cortados por uma estrada onde estão distribuídos um celeiro, caixa d’água, árvores, caminhão, cabana em madeira, caminhão carregado de toras de madeira, barris, um cavalo rosa, um galpão meio caído, um outdoor e uma torre d’água.
Ficha Técnica
TALITA HOFFMANN
(Porto Alegre, RS, Brasil, 1988)
Quarto Ocupado, 2013
Acrílica sobre tela
79,8 x 99,5 cm
Doação artista
Aquisição
Doação artista
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Comentário Crítico
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Texto Crítico
“Quarto Ocupado”, de Talita Hoffmann, foi produzido após sua série de pinturas "Cidades no interior", realizada em 2013, que influenciou as decisões pictóricas da artista neste trabalho. O interesse dela nesse período de produção, envolvia a relação entre a vida das pessoas e a arquitetura vernacular através das fotografias de Walker Evans.
Ao mesmo tempo em que a obra coloca o observador diante de um frenético mundo de objetos, também convida a uma pausa para delimitar visualmente cada um deles. O ambiente interno mistura-se com objetos da vida urbana. Existe uma caixa d' água no canto inferior direito, assim como postes de luz com fios atravessando a tela na horizontal.
Talita transforma esses objetos em uma escala desproporcional com o real, tornando a caixa d' água menor que a mesa ou o fogão. Mesmo com a junção de cenários externos e internos, pintados em meio a diferentes elementos como utensílios, móveis, brinquedos e roupas, a artista estabelece nitidez diante de cada item e nenhum objeto se esconde, apesar de, em uma primeira impressão, causar tumulto no olhar.
Talita acredita que suas obras constituem narrativas, mas não de forma ordenada e restritas ao que ela pode ter concebido. A sua criação é um convite para o espectador imaginar e entrelaçar os objetos a partir da própria memória, construindo a relação com a obra na medida do que cada elemento pode incitar ou não.
O colorido da tela reitera a individualidade de cada objeto.
Apesar dos itens terem características muito bem definidas, a obra reflete um movimento a partir de situações em que os itens inanimados estão colocados. O bule com o vapor saindo, o pão com migalhas e o próprio aspecto de bagunça, incitam vida ao cenário. Mesmo sem presença de figuração, demonstra que algo está em curso, auxiliando a imaginação do observador que cria sua narrativa diante da tela.Autoria
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Texto Crítico
Ela foi produzida em 2013, logo após a conclusão de uma série de trabalhos intitulada "Cidade no Interior”. Essa foi uma série de pinturas que fiz em 2013 também, apresentada em São Paulo, onde pesquisei, entre outras coisas, o trabalho do fotógrafo Walker Evans. Me interessava especialmente a relação que o fotógrafo fazia entre os planos que fotografava, retratando a vida das pessoas e a arquitetura vernacular, assim como o universo gráfico no qual essas pessoas estavam inseridas. Cartazes de filmes que estavam em exibição, anúncios expostos em mercados e fruteiras, embalagens de produtos, placas de sinalização das ruas, etc. Esse tipo de sobreposição gráfica foi algo que chamou minha atenção, e é a partir daí que trabalhos como “Quarto Ocupado” surgiram.
Nessa obra, há uma transposição do ambiente urbano para o espaço doméstico, onde ocorre um jogo de escalas e proporções desses espaços internos e externos - como o tamanho dos caminhões e postes de energia em relação à cama e ao fogão, por exemplo. Essa operação também amplia a sensação de deslocamento daquilo que deveria estar do lado “de fora” mas está ocupando um espaço interno dentro de um quarto.Autoria
Exposições e prêmios
Exposição: O Museu é um Jogo, Galeria Augusto Meyer, MACRS, 2026
Histórico de publicações
BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Digrapho Produções Culturais, Porto Alegre, 2021. p. 248.
Eventos relacionados
Mídias relacionadas
Texto crítico, de Lucas Ribeiro, sobre exposição na galeria LOGO, 2013.
No site: https://talitahoffmann.cargo.site/Sobre
Em sua exposição individual na galeria LOGO, a jovem artista gaúcha Talita Hoffmann apresenta obras inéditas que pela primeira vez relacionam sua pintura no tempo e no espaço. Se em seus trabalhos anteriores as cenas desoladas e apocalípticas retratadas eram irrastreáveis, quase alienígenas, agora Talita encontrou uma associação direta com um momento histórico específico: a Grande Depressão americana dos anos 30. Usando como ponto de partida as fotos de Walker Evans que cristalizaram o período no imaginário popular, Talita transpõe para a sua dimensão inventada as notórias paisagens de beira de estrada, com suas construções precárias e placas comerciais pintadas à mão.
Como na música folk do sul dos Estados Unidos, que conectou a artista com as fotos de Evans, suas pinturas exaltam a simplicidade das coisas e a sinceridade das pessoas, projetando uma experiência que ela própria, como habitante de centros urbanos, não vivenciou. Nesse experimento de falsa nostalgia, Talita mantém-se fiel aos seus ideais estéticos, produzindo imagens agradáveis e ao mesmo tempo estranhas com tinta acrílica sobre tela ou papel. Apesar da sanidade, as composições improváveis e figuras anormais criadas com precisão pela artista possibilitam relacionar sua obra com a de artistas realmente outsiders e insanos, como Henry Darger.
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