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Oitenta Qualidades
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Miniatura

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Número de registro
MAC0818
Título
Oitenta Qualidades
Autoria
Ano
2014
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
39 x 47 cm
Texto para etiqueta
Elida Tessler
(Porto Alegre, RS, 1961)
Oitenta Qualidades, 2014
Litografia sobre papel, 39 x 47 cm
Doação Museu do Trabalho
Aquisição
Doação Museu do Trabalho
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
“Surge uma ideia: é você, num determinado estado. Alguma coisa sopra em você, como um súbito rumor de cordas, surge um som; alguma coisa se coloca diante de você como uma miragem; da confusão de sua alma formou-se um cortejo infinito, e todas as belezas do mundo parecem estar paradas à beira da estrada. Muitas vezes, só uma ideia provoca isso. Mas depois de algum tempo, ela começa a se parecer com todas as outras ideias que você já teve, submete-se a elas, torna-se parte de suas concepções e de seu caráter, de seus princípios e de seus estados de alma; ela perdeu as asas, e assumiu uma solidez totalmente desprovida de mistérios.”
Robert Musil – O homem sem qualidades
Busco encontrar novos sentidos para as palavras ditas e para as palavras escritas. Tento evocar a palavra como ideia, a palavra como gesto, a palavra como posicionamento, como encaixe e desencaixe ao mesmo tempo. Este tem sido o meu foco na pesquisa e na produção de trabalhos nos últimos anos.
“Oitenta qualidades” é uma litogravura realizada a partir do convite para participar do Consórcio de Gravuras do Museu do trabalho em Porto Alegre (2012). Foi um primeiro contato com este processo que aproxima a pedra (lithos) do escrever (graphein). O entusiasmo foi imediato e a parceria com o artista Paulo Chimendes foi essencial. Com suas indicações iniciais e sua cumplicidade de sempre, pude seguir a intuição de aproximar conceitualmente a técnica da litografia à Pedra de Roseta que, sendo apenas um fragmento, mudou a história da arqueologia. Como decifrar uma escrita?
Para a realização da gravura, ao invés de um fazer o desenho direto na superfície preparada da pedra, propus imprimir a cópia de uma página de livreto com jogos de caça-palavras. Simples, mas nem tanto. Havia algo de ordem tautológica: uma página impressa daria origem a outra página impressa. E não se tratava de um jogo de caça-palavra qualquer. Este, a matriz inicial, foi concebido a partir de 30.301 adjetivos retirados do romance “O homem sem qualidades” de Robert Musil em uma leitura realizada por mim em 2006. Tempo é matéria que segue sendo prima da arte.
A gravura que agora integra o acervo do MAC-RS apresenta a cópia de uma página dupla extraída de uma publicação que, por sua vez, foi produzida para ser o catálogo da exposição “O homem sem qualidades caça palavras” apresentada por mim em São Paulo em 2007 (Galeria Oeste). Ele mimetiza uma clássica revista de passatempos, dessas que se encontram habitualmente em qualquer banca de jornais. O “catálogo” reproduz 134 quadros de jogo de caça-palavras contendo quarenta adjetivos cada. As letras estão alinhadas na conhecida estrutura reticular e podem ser encontradas na posição horizontal, vertical ou diagonal. Para mim, esta é uma forma de pulverização da palavra escrita que resguarda o enigma da obra que Robert Musil levou mais de 20 anos para escrever e não chegou a concluir.
Com o lápis gorduroso, material tradicional da técnica da litografia, foram circundados dois dos 80 adjetivos ocultos na grade de letras apresentada, como forma de indicar o procedimento do jogo e o traço manual de todo o processo da gravura.
Apropriações de objetos do cotidiano e transposições da palavra escrita do contexto da literatura para o campo das artes tem sido meu estímulo principal de trabalho. Uma ideia não pode perder suas asas. Seria um desperdício de energia. Prefiro apostar no sopro, no voo ou mesmo na deriva que toda experimentação artística propõe.
Elida Tessler
maio de 2020
Autoria
Exposições e prêmios
47% Artistas Mulheres no Acervo do MACRS, Galeria Xico Stockinger, MACRS, 2021
|Relações de Pesquisa: acervo MACRS em rede, Galeria Xico Stockinger, MACRS, 2022
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