Comentários/Dados históricos
Em "Movimento Pendular #1" (2014), o artista solta um pêndulo de vidro que, perdendo areia, forma no chão desenhos circulares concêntricos, com uma amplitude cada vez menor. A dança deste pêndulo prende o olhar de cada espectador e fixa-o no processo deste desenho ordenado e preciso, criado pelas leis da física. O resultado final revela uma sobreposição complexa de curvas, que nos conduz o olhar para o centro vazio. A nossa memória cria, através do pensamento rizomático que lhe é característico, relações com movimentos cósmicos, com buracos negros, ou implosões de universos inteiros. Ao contrário do pêndulo de Foucault, aqui, o movimento da terra não parece o destino final. (...) O artista dá deste modo, e uma vez mais, forma ao imaterial. Convoca-o a revelar-se e a participar das suas obras, permitindo que o público faça a sua própria descoberta de um modo activo e participante. (...)"Movimento Pendular #1" como "Tubos Sonoros" são potentes experiências que parecem nascer do exterior para o interior. Hipnóticos, ressoam visual e auditivamente em cada espectador, ecoando muito para além do tempo em que nos confrontamos com as obras. São dois exemplos, nos quais Felippe Morais se torna, por momentos, "um revelador, mais que um criador"
Texto de Susana Rocha (Revista Estúdio n. 18 - Universidade de Lisboa, 2017)
| Fenômenos intangíveis e inexplicáveis que ultrapassam o entendimento consciente do mundo sempre fascinaram e motivaram a pesquisa de Felippe Moraes. Partindo de questões que não podem ser plenamente resolvidas nem por métodos cientícos ou matemáticos, nem por especulações de ordem mística, dogmática ou existencial, as obras do artista tensionam essas lacunas deixadas entre esses diferentes modos de apreensão do real. (...) Dando continuidade a uma pesquisa iniciada acerca de desenhos que revelam padrões invisíveis presentes na natureza, o artista apresenta uma versão nova de Movimento Pendular, pêndulo cheio de areia que, ao ser lançado, delineia, de forma quase mágica, um desenho efêmero e frágil no chão.
Texto de Olivia Ardui para o Prêmio EDP nas Artes 2014 - Instituto Tomie Ohtake