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ESM 000
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Miniatura

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Número de registro
MAC1439
Título
ESM 000
Série
Estudo sobre mestiçagem
Autoria
Ano
2016
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
130 x 100 x 4cm
Notas descritivas
A obra “ESM 000”, que integra a série de pinturas intitulada “Estudo sobre mestiçagem”, é constituída por sobreposições de camadas de tinta acrílica sobre tela de algodão em orientação vertical, preparada com gesso acrílico, e mede 130 x 100 x 4 cm. A pintura é uma composição abstrata, constituída por campos de cor assimétricos, cujas bordas irregulares atuam como delimitações de fronteiras entre as tonalidades, evidenciando a poética do artista, que ora se mesclam harmoniosamente e ora parecem se manifestar em um debate entre áreas de cores mais fortes. A composição é distinguida predominantemente pela cor azul acinzentada, que preenche uma abundante porção da tela, desde a extremidade inferior até o topo da pintura, como um céu ou um plano de fundo. Estima-se que o tom de azul foi alcançado através de uma sucessão de demãos de cores diferentes, visto que em alguns pontos da tela é possível perceber um tom de amarelo claro entremeado ao tom de azul, visível onde as pinceladas de azul são mais fracas, e através de finos riscos que parecem ter sido traçados com objeto pontiagudo pelo próprio artista, revelando a camada inferior de tinta. Ocupando a extremidade superior da tela, há uma área de cor marrom, como uma montanha ou um morro, cujas bordas sugerem uma mistura de outras cores, pois nesses contornos se vê linhas em tons beges e ocres. Próximo à margem da área cor de terra, no lado esquerdo da obra, há uma faixa estreita pintada de cor azul-claro, como uma nesga, que percorre a extensão da tela se tornando cada vez mais fina, desde a extremidade superior até o canto inferior esquerdo da tela. Observando a obra em sua totalidade, têm-se a impressão de estar mirando a imagem de uma paisagem invertida, de ponta-cabeça, visto que geralmente remete-se o uso da cor marrom à terra, e o azul ao céu. A superfície da obra não é inteiramente lisa, possui relevo em alguns pontos, sugerindo um acúmulo de camadas de tinta ou até do próprio gesso acrílico utilizado na preparação da tela. A obra possui assinatura do artista, centralizada na metade inferior do verso.
Texto para etiqueta
EDU SILVA
(São Paulo, SP, 1979)
ESM 000, 2016
Série Estudo sobre mestiçagem
Acrílica sobre tela, 130x100cm
Aquisição por compra e doação AAMACRS / Galeria Luis Maluf Eireli
Aquisição
Aquisição por compra e doação AAMACRS / Galeria Luis Maluf Eireli, 2022
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
Edu Silva têm uma produção poética pautada por questões identitárias, segregação social e racial, tensões territoriais e na rediscussão da mestiçagem, tema abordado na série de trabalhos “Estudo sobre mestiçagem”, cujas obras possuem títulos com a sigla “ESM” e o número da obra, como o caso do trabalho “ESM 000”, de 2016. O artista se interessa pela investigação das relações cromáticas e as explora por meio da pintura. A obra “ESM 000”, assim como as demais que compõem a série, é constituída por campos cromáticos divididos de forma desigual, onde é possível perceber a existência de uma cor dominante, que ocupa a maior porção da tela, e outras cores, que ocupam menores espaços. Da relação entre as cores, surgem os desenhos, linhas e ou formas “geométricas orgânicas”, sugerindo relações com a mestiçagem, onde uma cor se apresenta predominante em relação à outra. A partir da vivência do “estar entre”, de ser mestiço, o artista pensa essas demarcações cromáticas utilizando-as, metaforicamente, como fronteiras que explicitam a carga simbólica que elas podem representar.
Comentários/Dados históricos
A obra datada de 2016, de autoria de Edu Silva (1979, São Paulo, SP), intitulada “ESM 000”, a pintura faz parte da série “Estudo sobre mestiçagem”. Segundo o artista, essa série tem como ponto de partida questões raciais e sociais - é constituída por campos de cores,evidenciam relações cromáticas onde uma cor se estabelece como padrão dominante, buscando equilíbrio, harmonia, nuances e contrastes. O trabalho foi doado ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), por meio da Associação de Amigos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (AAMACRS), em 2022.
Exposições e prêmios
Exposição: Dez Pintores, Paço Municipal, Santo André / SP, 2017.
|Exposição: Mestiçagem, Casa Galeria, São Paulo / SP, 2018.
|Exposição: Mestiçagem, Casa Galeria, São Paulo / SP, 2018. Exposição: Pintura Expandida, Galeria Virgilio, São Paulo / SP , 2018.
|Exposição: MACRS +D, Galeria Augusto Meyer, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 3° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2022.
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Mídias relacionadas
Estudo sobre mestiçagem 000
2016. Disponível em: https://www.instagram.com/p/ByDNgmunkp5/ , Acesso em 04 de outubro de 2022.
"Longe de uma concepção apenas formal, realçar a pesquisa ininterrupta, dentro de uma disciplina diária, de um fazer costumeiro, joga luzes sobre o corpus de obra do artista. Os campos de cor em embates constantes, por sobre as superfícies ora lisas, ora permeáveis, se mesclam em processos por vezes mais lentos e, já sobre o chassi, podem manifestar cores mais fortes que traçam sua robustez via delimitações de ordem gráfica. Tanto em escalas generosas como em tamanhos ‘de câmara’, as linhas configuram territórios, arquipélagos, continentes e topologias de cores, planos e volumes que se desdobram à maneira de cartografias poéticas a serviço de uma visualidade movediça e não conformada. Algumas séries, no entanto, exasperam o que poderia ser um tom apenas harmônico. Por meio de procedimentos e construções formais, a poética de Silva vai conjugando elementos que, já por meio de outra camada de leitura, se conectam com a sua condição de artista egresso das periferias e que discute a questão racial no Brasil." (GIOIA, 2022). Disponível em: https://www.edusilva.art/textos , Acesso em 04 de outubro de 2022.
|"Muito importante que nestas experimentações pictóricas sobre a mestiçagem Edu Silva tenha abandonado qualquer menção temática ou ideológica: o que importa são as massas cromáticas, grandes ou miúdas, enormemente decorativas, que se aproximam e se encaixam, mostrando as costuras entre contrastes ou pequenos alinhavos e cerziduras mirins, essas moléculas de passagem de uma cor para outra. Valem muito aqui estes pontos ou nós de entrelaçamento, esse gesto do bordado que liga uma coisa à outra. Já estamos agora longe do uso trivial, apressado e modernoso do termo “hibridismo”. O que interessa é a juntura (não aquilo ou quem está junto) como dobradiça móvel em andamento e expansão, metamorfose inconclusa e infinita das formas e materiais. Trata-se aqui de educar os olhos para ver “isso que enlaça uma pérola com outra”, conforme diziam os músicos e poetas afro-árabes. Jogos de forma e luz que estão nas relações entre cultura e natureza muito antes dos sujeitos. Portanto, ao abandonar as dualidades de oposição, Edu dá preferência aos mais variados e assimétricos campos de relação e aos processos internos constitutivos das coisas (que sempre se compõem com partículas de muitas outras). Confere assim continuidade ao descontínuo. Conjuntos/formatos matizados, numa gama colorista esplendorosamente lapidada, se intersectam sintaticamente, por meio de cortes e chanfraduras sinuosos e retorcidos, parecendo colhidos de um magma telúrico e tectônico no compasso dos abalos de reacomodação sísmica. Pintura, escultura, arquitetura em dança de cores. Formas mestiças no fundamento terroso e pedrento das coisas. Daí que as mesclas e suturas deixem sempre à mostra e ao vivo saliências geológicas feitas de calombos e murundus rombudos, com suas roçaduras calosas, que expõem as interações entre as diferenças e os paradoxos entre o grande e o pequeno, o alto e o baixo, a frente e o verso, o direito e o avesso: todas essas tarefas da criação de um panorama de conhecimento lúdico-mestiço e nativo-atual para fora de todas as domesticações da história oficial, “antiga” ou “moderna” (seja de que lado essa domesticação facilitadora vier). Essa é uma festa das alteridades incrustadas. Aquilo que no barroco se diz lista díspar, pela inclusão participante de repertórios desiguais e abandonados, Edu traduz como arquipélago mestiço. Atenção: parece que sempre novos barrancos, ilhas ou recifes vão surgir e recompor a paisagem, os bairros, os corpos e a vida. (PINHEIRO, 2018, doc.eletr). Disponível em: https://www.lolydemercian.com.br/?p=857 . Acesso em 21 de novembro de 2022.
|"As obras de arte construídas pelo artista visual Edu Silva são resultado de seus processos de pesquisa e tem como ponto de partida questões sociais e raciais. Ao mesmo tempo, as composições projetam-se e diluem-se em manifestos artísticos, com fundamento e estrutura em procedimentos resultantes da articulação de vivências particulares em técnicas produtivas, exclusivas, inéditas e atualizadas com a realidade contemporânea. As obras da série Estudo sobre mestiçagem reverberam esta combinação vivência/referência/construção. Estas associações se fazem evidentes a partir das composições abstratas em planos de cor elaborados com tinta acrílica em tela. Zonas monocromáticas irregulares disputam alternadamente espaços matizados, onde a cartografia resultante da citada delimitação reforça e valida as convicções do artista na realidade que o atinge e circunda. Assim, as controvérsias na sobreposição de camadas auguram deslocamentos projetivos entre o caos e o vazio, entre as fissuras e a completude sensorial, em frames editados em cada obra e na concepção original delas. Os processos de criação de Silva estão fundamentados, porém não delimitados, nas vivências dele na periferia de Embu das Artes, São Paulo, Brasil e em seus inerentes conflitos de realidades entre classes sociais." (HERNANDEZ, 2018, doc.eletr). Disponível em: https://www.edusilva.art/textos . Acesso em 21 de novembro de 2022.
|"Constituída por campos de cores, essas pinturas evidenciam relações cromáticas onde uma cor se estabelece como padrão dominante, buscando equilíbrio, harmonia, nuances e contrastes. Ao mesmo tempo, sugerem planos que disputam e/ou dividem o espaço físico da obra demarcado por rupturas. No campo simbólico, essas fronteiras suscitam questões como a segregação social, racial e tensões territoriais." (SILVA, 2020, doc,eletr). Disponível em: https://www.edusilva.art/estudos-sobre-mesticagem . Acesso em 13 de dezembro de 2022.
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