A obra “Dessa para Melhor”, criada por Jotapê Pax em 2012, marca um momento decisivo em sua trajetória artística: o instante em que ele é convidado, pela primeira vez, a expor em uma instituição de arte, o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Até então, sua experiência estava ligada ao grafite, à arte urbana e ao início de alguns projetos em pintura sobre tela. Diante desse convite, o artista decidiu expandir sua linguagem e concebeu uma instalação que combinava pintura e escultura, inaugurando um campo experimental em sua produção.
A peça central da instalação é uma tela que apresenta figuras mascaradas, inspiradas em referências da arte africana que o artista pesquisava naquele período. Essas figuras olham para baixo porque a pintura é instalada no teto da galeria, alterando a relação tradicional entre obra e observador.
Abaixo da tela encontra-se um objeto que se assemelha a um corpo, construído com pedaços de madeira, material que, nesse momento, começava a ganhar importância em seu processo criativo. Para vivenciar a obra, o espectador precisa circular ao redor da instalação, ativando-a com o próprio corpo. A base da peça é um espelho que reflete quem observa, criando a sensação de que o público se insere na obra, como se estivesse junto às figuras da pintura, participando desse ritual simbólico.
A figura de madeira carrega uma rosa que ao longo da exposição vai secando, além de diversos amuletos e patuás, entre eles um presenteado por sua mãe, elemento que torna a obra especialmente significativa para o artista. Apesar de o título da obra, “Dessa para Melhor”, invocar a ideia de um ritual de passagem popularmente associado à morte, não se trata aqui de um funeral, mas de uma metáfora sobre transformação.
Essa obra marca, portanto, a primeira de suas experimentações com a madeira, consolidando um momento de transição não apenas no tema da obra, mas também no próprio percurso artístico de Jotapê Pax.