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Cabine-nicho
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Miniatura

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Número de registro
MAC1814
Título
Cabine-nicho
Autoria
Ano
2000
Denominação
Dimensões
210 x 84 x 82 cm
Notas descritivas
A cabine é toda em madeira de cor clara. medida porta/interior. Em seu interior há uma lâmpada no teto e um forro de espuma acústica na cor cinza. A espuma possui um relevo no formato de triângulos côncavos e convexos similares a caixas de ovos.
Texto para etiqueta
ELAINE TEDESCO
(Porto Alegre/RS, 1963)
Cabine-nicho, 2000
Instalação, 210 x 84 x 82 cm
Aquisição por compra e doação AAMACRS / Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, Funarte
Aquisição
Aquisição por compra e doação AAMACRS / Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, Funarte
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
Cabine-nicho faz parte de uma série de trabalhos desenvolvidos por Elaine Tedesco que abordam a tríade corpo, escultura e espaço expositivo. Assim, por um lado, as cabines funcionam como espaços de refúgio, como lugares que abrigam ou isolam o espectador do ambiente expositivo do qual a própria cabine faz parte. Ao mesmo tempo, a aparência do objeto (uma caixa vertical de madeira na qual pode-se entrar e cujo interior é revestido por uma espuma, com uma lâmpada acesa em seu teto), a ser posicionado de modo que possa ser circundado pelos visitantes, permite que a obra seja observada como uma espécie de avesso da escultura. Ou seja, é como se a Cabine-nicho nos convidasse a procurar algo em seu interior, como se ela fosse o invólucro de algo. À medida que percebemos que podemos entrar no dispositivo, passamos a ser esse algo envolvido pelo objeto e imediatamente já não mais podemos observá-lo. Dessa forma, corpo, obra e espaço expositivo sobrepõem-se, sugerindo a interpenetração desses papéis a partir da atenção devotada pelo espectador às múltiplas facetas da obra.
Autoria
Comentários/Dados históricos
A obra é datada de 2000, de autoria da artista plástica Elaine Tedesco (1963, Porto Alegre/RS), intitulada "Cabine-nicho". A obra faz parte de um desdobramento de um trabalho em outro, segundo palavras da artista, empregando o princípio da transformação da relação entre objeto e situação de apresentação. A cabine foi transformada a cada local de exposição, que teve seu início na mostra “Cabines para isolamento e camas públicas", de 1999, em Porto Alegre. Mas foi em 2000, que o trabalho foi criado da forma que é apresentado atualmente, na exposição ‘Passagens”, em São Paulo. Além disso, a imagem da obra "Cabine-Nicho", fotografada por Elaine Tedesco, faz parte do projeto “Sobreposições Imprecisas”, de 2001, sendo resultado da participação da artista no “Projeto Areal”. A cabine foi doada ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), por meio da Associação de Amigos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (AAMACRS), após a associação adquirir as obras através do projeto “MAC-21”, que teve curadoria de Paulo Gomes, na seleção dos artistas e das obras. O projeto “MAC 21” recebeu o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, em 2010, e foi executado entre 2011-2012. Prêmio este, que teve como objetivo a aquisição de obras destinadas ao preenchimento de lacunas pontuais em acervos de instituições museológicas, públicas e privadas. A obra foi apresentada ao público, como acervo do museu, na exposição “Arte Contemporânea RS”, que aconteceu entre 04 de maio a 22 de agosto de 2021, com curadoria de Maria Amélia Bulhões.
Exposições e prêmios
- Exposição: Cabines para Isolamento e Camas públicas. Mercado Público de Porto Alegre, RS, 1999.
|- Exposição: Passagens. Centro Universitário Maria Antônia, USP, São Paulo, SP, 2000.
|- Exposição: Espaços Assinalados. UNISINOS, Porto Alegre, RS, 2001.
|- Exposição: Arte Contemporânea RS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2020- 2021.
|- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana. Porto Alegre, RS, 2022.
|- Exposição Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Galeria Espaço Incomum, Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Rio Grande, RS, 2022.
|- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS, Recorte Corporificação. Galeria Municipal de Arte Gerd Bornheim, Caxias do Sul, RS, 2022.
|Acervo em Foco, Espaço Marilene Bertonchelli, MACRS, 2024
Histórico de publicações
TEDESCO, Elaine. Sobreposições imprecisas. Documento Areal vol.4, São Paulo: Escrituras, 2003.
|GOMES, Paulo. O Projeto MAC-21: Compartilhando uma experiência de exceção. Porto Alegre/Brasil, 2021. p. 05. Disponível em: http://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 09 de maio de 2022.
|TEDESCO, Elaine. Passagens e desdobramentos entre o repouso e o isolamento na constituição de uma poética visual. Dissertação de mestrado em Poéticas Visuais. Instituto de Artes, Programa de Pó -Graduação em Artes Visuais. UFRGS, 2002. p. 57 - 58. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/4106 , Acesso em 09 de maio de 2022.
|TEDESCO, Elaine. Um processo fotográfico em sobreposição no espaço urbano. Tese de doutorado em Poéticas Visuais. Instituto de Artes, Programa de Pós - Graduação em Artes Visuais. UFRGS, 2009. p. 93 . Disponível em: https://www.lume.ufrgs.br/handle/10183/17034 , Acesso em 09 de maio de 2022.
|BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Digrapho Produções Culturais, Porto Alegre, 2021. p. 94. Catálogo de Acervo. Disponível em: https://acervomacrs.wpcomstaging.com/catalogo/. Acesso em 09 de maio de 2022.
Eventos relacionados
Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS | Acervo em Foco
Mídias relacionadas
"Procurando dar conta da complexidade e simultaneidade existentes no processo de criação, passo ao relato e análise de um outro trabalho criado para a exposição Passagens, a Cabine - Nicho. Para a elaboração da peça, considerei o contexto da exposição Passagens e que, por escolha dos curadores, ela seria exposta em um sala onde estaria sendo projetado o vídeo The Passing de Bill Viola. A estrutura de madeira utilizada para desenvolver o processo da Cabine-nicho é resto de uma das Cabines apresentadas no Mercado Público de Porto Alegre, em 1999. Resto porque, neste caso, a primeira Cabine foi pensada como um trabalho fechado, acabado, encerrado com a apresentação. Considerei que o momento da desmontagem deixará alguns resíduos materiais prontos para serem usados em outras propostas. Remontei a estrutura de madeira no atelier, porém sem a porta. Explorei diferentes configurações com os palos que a constituem, mantendo-os abertos, entreabertos, sobrepostos, mas, por fim, decidi manter a estrutura fechada. Depois passei a experimentar diversos objetos e materiais dentro dela: bancos, tecidos, arames, ferros, espuma, travesseiros e assim cheguei à lâmpada. Continuo em dúvida sobre as paredes: ficariam nuas ou teriam algum material sobre elas? Isto só foi definido durante a montagem da exposição. A Cabine-nicho, que pronta parece um nicho fora da parede, um sarcófago aberto e com lâmpada, é uma caixa vertical aberta feita de madeira clara, com as paredes internas em espuma para colchão medicinal, e possui no teto, em mata-junta, uma lâmpada incandescente. O chão é aberto. A falta de um piso específico , como nas outras Cabines, permite que a sala de exposições entre no trabalho, trazendo uma impressão de continuidade e prolongamento do espaço. Já a lâmpada no teto e as espumas nas paredes tornam o pequeno nicho um local visualmente quente, separado do entorno. O que é reforçado pelo som, isto porque a espuma possui um relevo muito parecido com o das espumas acústicas. O efeito sonoro que propicia é semelhante. Ao entrarmos na cabine, sentimos que o somo abafa, os ruídos são reduzidos". (TEDESCO, 2002, p. 57-58). Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/4106 , Acesso em 09 de maio de 2022.
|"Em Arte Contemporânea.RS, há a instalação Cabine-Nicho, de Elaine Tedesco. Como se fosse um sarcófago aberto e com lâmpada, o trabalho é uma caixa vertical feita de madeira, com as paredes internas revestidas de espuma para isolamento acústico. A entrada nessa cabine pode provocar a sensação de ruptura temporal, como se o visitante ingressasse em um local em que o tempo foi suspenso". Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/artes/noticia/2021/05/como-foi-a-reabertura-da-casa-de-cultura-mario-quintana-e-do-museu-julio-de-castilhos-ckoah4xrr0072018050ct9xn0.html. Acesso em 09 de maio de 2022.
|"A visita seguinte foi ao ateliê de Elaine Tedesco (Porto Alegre, RS, 1963), também uma artista bem representada nas coleções locais. A proposta da artista foi a de complementar sua representação nas coleções com a inclusão de trabalhos de épocas diferentes, incluindo instalações e fotografias. O conjunto proposto – uma instalação, uma cabine e fotografias –, superou em muito as expectativas e, a manifestação da artista ao justificar a proposta de que ela possibilitaria ao museu ter uma significativa amostragem da sua obra, tornar-se-ia uma constante na maioria dos contatos subseqüentes". (GOMES, 2017, p.05). Disponível em: http://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 09 de maio de 2022.
|"As séries analisadas anteriormente apresentam objetos menores que problematizam a questão da estatura e também a condição de abrigo ou desabrigo, conforto ou desconforto, proteção ou exposição do corpo enquanto no estado de sono. Em Cabines , essas questões se transportam para o estado de vigília, pois sugerem a presença do corpo na posição vertical e lembram espaços mínimos de trabalho, como guaritas de vigilância, bilheterias, postos de chaveiros, terminais de bancos 24 horas ou cabines telefônicas. Nas Cabines o indivíduo poderá separar-se do que está ao redor, ficando dentro de uma pequena área delimitada, na qual há uma barreira parcial para a visibilidade e para os ruídos externos; em pé ou sentado, estará abrigado em uma estrutura que lembra diversos elementos arquitetônicos de pequeno porte, mas este isolamento não é um momento para o sonho". (MATTES, 2010, p.209). Disponível em: https://www.revistas.udesc.br/index.php/dapesquisa/article/view/14087/9193. Acesso em 09 de maio de 2022.
|Cabine-nicho, Madeira, espuma e lâmpada. Disponível: https://comum.com/elainetedesco/cabines/foto_cabine_antonia_nicho.htm . Acesso em 09 de maio de 2022.
|"Elaine edifica abrigos em lugares públicos, Cabines para isolamento, nos quais “trabalha na contramão”, conforme afirma, pois utiliza um espaço íntimo ( a cabine) como indicativo e seu resguardo contra o estresse provocado pela vida contemporânea nas grandes cidades. Nesse percurso, permanecem as ideias de reclusão e descanso anteriores, porém essas configuram nesse momento ao modo de cabines; marcam a questão do lugar, confrontando-se o íntimo e o privado com o público urbano". (ZIELINSKY, 2003, p. 03-04). Disponível em: https://www.yumpu.com/pt/document/read/12736357/os-espacos-reinventados-na-arte-de-elaine-tedesco-comum. Acesso em 09 de maio de 2022.