-
Sem Título (Masturbadores)
- Voltar
Miniatura

Compartilhe
Número de registro
MAC1001
Título
Sem Título (Masturbadores)
Série
Duplo V
Autoria
Ano
2000
Denominação
Material/Técnica
Suporte/Mídia
Dimensões
38 X 33 X 5 cm
Local de produção
Edição/estado
2/3
Notas descritivas
a obra é um texto gravado em chapa de zinco oxidado, pousado sobre uma almofada de veludo e espuma, com dimensões de 38 x 33 x 5cm, do ano de 2000. Na imagem, sobre um fundo branco, está uma almofada quadrada de veludo preto, onde encontra-se posicionada centralmente uma placa metálica retangular na cor cinza-escuro, de zinco oxidado. A placa tem um parafuso em cada uma de suas extremidades e é emoldurada por um relevo simples, formado por duas linhas retas paralelas. Ao longo de toda a extensão da placa, dentro da moldura em relevo, está gravado em relevo um texto, onde se lê: “As prisões de um estado norte-americano estarão recebendo, em breve, uniformes cor-de-rosa para os prisioneiros que se masturbam publicamente. O uniforme, de colorido nada convencional nos presídios, é o último recurso das autoridades para frear o impulso sexual dos condenados. Elas acreditam que, com as novas roupas, os masturbadores serão ridicularizados pelos outros prisioneiros, o suficiente para que se sintam intimidados. As tentativas anteriores de solucionar o problema, como fotografar os prisioneiros em pleno ato, ameaçando enviar as imagens para suas mães, falharam.”.
Texto para etiqueta
ROSÂNGELA RENNÓ
(Belo Horizonte, MG, 1962)
Sem título (Masturbadores), 2000
Série Duplo V
Chapa de zinco oxidado sobre veludo preto e espuma, 38 x 33 x 5 cm
Doação AAMACRS / Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, Funarte
Aquisição
Aquisição por compra e doação AAMACRS / Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça 2010, Funarte
Créditos da fotografia
Condições de reprodução
O uso de imagens e documentos é permitido para trabalhos escolares e universitários com caráter de pesquisa e sem fins lucrativos. Junto à reprodução, deve sempre constar obrigatoriamente o crédito à fonte original (quando houver) junto ao crédito: Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. Os direitos autorais são de propriedade de seus respectivos detentores de direitos, conforme a Lei de Direitos Autorais (LDA – Lei no 9.610/1998). O MACRS não detém a propriedade de direitos autorais e não se responsabiliza por utilizações indevidas praticadas por terceiros.
Textos críticos
Texto Crítico
A série Duplo V, de Rosângela Rennó, faz parte do projeto em aberto da artista denominado Arquivo Universal. Iniciado em 1993, Arquivo Universal é uma grande coleção de matérias de jornais que inserem na descrição de notícias referências à fotografia. As obras reunidas na série Duplo V, além de fazerem referência à fotografia, envolvem notícias ligadas à violência e à vaidade. Invariavelmente apresentadas na forma de um texto em relevo gravado em uma chapa de zinco fixado sobre uma almofada de veludo, as obras de Duplo V podem ser percebidas enquanto espelhos, ou mesmo enquanto a memorialização da violência institucional, no caso da obra presente no MACRS. A fixação da obra na parede, no lugar comumente ocupado por imagens - pinturas, fotografias, retratos - faz com que essa relação de espelho se estabeleça com o espectador, que se percebe necessariamente implicado no relato textual. Já os aspectos formais do objeto - chapa de zinco com texto em relevo, almofada de veludo -, nos transportam para o universo dos objetos fúnebres e memorialistas, marcadores de fatos históricos relevantes de uma coletividade, como placas em entradas de prédios públicos ou grandes obras. Ao valer-se desse tipo de código visual para a fixação de uma notícia envolvendo tentativas de controle de pessoas presas, a obra de Rennó provoca uma quebra no fluxo contínuo e amortecido das notícias de violência, tornando-as permanentes e relevantes, objetos fundamentais de reflexão para uma construção humanista da sociedade.
Autoria
Comentários/Dados históricos
A obra é datada de 2000, de autoria da artista plástica Rosângela Rennó (1962, Belo Horizonte/MG), e intitulada “Sem título (masturbadores)”. A obra é constituída por uma chapa de zinco oxidado sobre veludo e espuma, é parte do projeto Arquivo Universal e integra a série Duplo V (2000-2003), na qual tem o significado de “Violência e Vaidade”. A chapa metálica apresenta um texto jornalístico que, segundo a intenção da artista, deve ser lido e compreendido pelo visitante que irá construir uma imagem mental a respeito do conteúdo. De acordo com Rennó, nesse processo entre leitura, compreensão e imaginação o texto acaba sendo eliminado pelo visitante que o “destrói no momento em que constrói uma imagem mental”. A escultura de parede foi doada ao Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), por meio da Associação de Amigos do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (AAMACRS), após a associação adquirir as obras através do projeto “MAC-21”, que teve curadoria de Paulo Gomes, na seleção dos artistas e das obras. O projeto “MAC 21” recebeu o Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, em 2010, e foi executado entre 2011-2012. Prêmio este, que teve como objetivo a aquisição de obras destinadas ao preenchimento de lacunas pontuais em acervos de instituições museológicas, públicas e privadas. A obra foi apresentada ao público, como acervo do museu, na exposição "MAC 21 - Um Museu do Novo Século", entre 16 de dezembro de 2014 a 08 de março de 2015, com curadoria de Paulo Gomes, sendo ela considerada uma das mais importantes exposições da história do museu.
Exposições e prêmios
- Exposição: MAC 21 - Um Museu do Novo Século. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6° andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2014-2015.
|- Exposição: 47% Artistas Mulheres no Acervo do MACRS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2021.
|- Exposição: Arte Contemporânea RS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana, Porto Alegre, RS, 2020- 2021.
|- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Galeria Xico Stockinger, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), 6 º andar, Casa de Cultura Mário Quintana. Porto Alegre, RS, 2022.
|- Exposição: Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS. Museu de Arte Leopoldo Gotuzzo (MALG), Pelotas, RS, 2022.
Histórico de publicações
GOMES, Paulo. O Projeto MAC-21: Compartilhando uma experiência de exceção. Porto Alegre/Brasil, 2021. p. 08. Disponível em: http://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 14 de abril de 2022.
|BULHÕES, Maria; PELLIN, Vera; VENZON, André [org]. Catálogo acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul. 1. ed. Digrapho Produções Culturais, Porto Alegre, 2021. p.234. Catálogo de Acervo. Disponível em: https://acervomacrs.wpcomstaging.com/catalogo/. Acesso em 14 de abril de 2022.
|MAIA, Ana; MELENDI, Maria; RANGEL, Gabriel [org]. Rosangela Rennó: pequena ecologia da imagem. Pinacoteca de São Paulo, São Paulo, 2021, p. 51. Catálogo de exposição. Disponível em: https://pinacoteca.org.br/wp-content/themes/pinacoteca/arquivos/Catalogo_Exposicao-RosangelaRenno.pdf. Acesso em 14 de abril de 2022.
|RENNÓ, Rosângela. Cicatriz. Fotografias de tatuagens do Museu Penitenciário Paulista e textos do Arquivo Universal. In: GOIFMAN, Kiko. Valetes em slow motion – a morte do tempo na prisão: imagens e textos. Campinas/SP: Editora da UNICAMP, 1998. Disponível em: http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:8s047wkzv4AJ:www.rosangelarenno.com.br/uploads/File/Cicatriz_RRenno.pdf&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em 17 de janeiro de 2023.
Eventos relacionados
Matéria Difusa - Um olhar sobre a coleção MACRS | 47% Artistas Mulheres no Acervo do MACRS
Mídias relacionadas
A obra, constituída por uma chapa de zinco oxidado sobre veludo e espuma, é parte do projeto Arquivo Universal e integra a Série Duplo V (2000-2003). A chapa metálica apresenta um texto jornalístico que, segundo a intenção da artista, deve ser lido e compreendido pelo espectador que irá construir uma imagem mental a respeito do conteúdo. Conforme Rosângela Rennó, quando lemos um texto formulamos imagens para compreendê-lo e a “resposta que damos à demanda do texto está estritamente ligada ao repertório de leitura que já possuímos” (RENNÓ, 2001 apud MELO, 2003, p.12). Nesse processo de leitura/compreensão/imaginação o texto acaba sendo eliminado pelo espectador que o “destrói […] no momento em que constrói uma imagem mental” (RENNÓ, 2001 apud MELO, 2003, p.11). Trata-se de uma placa metálica presa por quatro parafusos a uma almofada preta fixada no verso a duas tiras metálicas retangulares. A placa metálica de coloração muito escura, quase preta, possui escrita e friso/moldura em relevo, assim como protuberâncias sobre sua superfície. As duas tiras metálicas de fixação são de coloração cinza claro. Uma das tiras possui dados da obra e assinatura da artista. Todos os elementos metálicos da obra não são magnéticos". Disponível em: https://www.ufrgs.br/vid-patrimoniometalico/2016/03/23/obra-sem-titulo-da-serie-duplo-v-rosangela-renno/. Acesso em 14 de abril de 2022.
|"Rosângela Rennó (Belo Horizonte, MG, 1962) nos recebeu em seu ateliê no bairro de Santa Teresa e pudemos compartilhar, por algumas horas das experiências compartilhadas suas mostras em Lisboa, a retrospectiva na Fundação Gulbenkian e a mostra do Museu Berardo, ambas em 2012. Essas impressões foram complementadas pela rememoração de sua participação na Bienal do MERCOSUL, com sua instalação nas dependências do MAC, na Casa de Cultura Mário Quintana. A artista não definiu a indicação da obra a ser adquirida, deixando-a para ser feita posteriormente. Após o retorno a Porto Alegre recebemos imagens de trabalhos de várias épocas e escolhemos os [masturbadores], da Série Duplo V, um texto gravado em uma chapa de zinco oxidado, pousado sobre uma almofada de veludo e espuma. Trata-se de um trabalho de datado de 2000, um dos primeiros a optar pelo texto em detrimento da imagem fotográfica, para proceder as suas operações críticas e conceituais sobre as imagens e os textos". (GOMES, 2017, p. 08). Disponível em: http://academiademedicinars.com.br/wp-content/uploads/2021/08/2.3.-Museu-de-Arte-Contempor%C3%A2nea-do-Rio-Grande-do-Sul-MACRS-1.pdf. Acesso em 14 de abril de 2022.
|"Documento-monumento / monumento-documento, de Rosângela Rennó, questiona precisamente o papel da fotografia como evidência indubitável de um fato. Há muito tempo a artista mantém a prática de colecionar registros imagéticos de uma variedade de fontes, desde arquivos públicos, passando por veículos de comunicação e incluindo álbuns de família. Investigando as repercussões e direcionamentos de tais registros, coloca em xeque a suposta objetividade de memórias, sejam individuais ou coletivas". Disponível em: https://galeriavermelho.com.br/artistas/rosangela-renno/#anchor-1. Acesso em 14 de abril de 2022.
|Untitled (masturbadores), 2000. Disponível em: http://www.rosangelarenno.com.br/obras/view/40/3. Acesso em 14 de abril de 2022.
|“Em 1995, Rosângela Rennó descobriu, nos arquivos do Museu Penitenciário do Estado, então pertencente ao complexo penitenciário do Carandiru em São Paulo, inúmeros negativos de vidro que traziam registros de fragmentos de corpos dos presos contendo marcas, cicatrizes e tatuagens. Essas imagens foram produzidas entre 1920 e 1939, por um fotógrafo desconhecido, supervisionado pelo Dr. José de Moraes Mello, então psiquiatra-chefe do Departamento de Medicina e Criminologia da Penitenciária do Estado. O acervo contava com aproximadamente 6.000 imagens reproduzidas, em álbuns de couro cujo título era: Penitenciária do Estado de São Paulo, Serviço de Biotipologia Criminal, Arquivo de Tatuagens. Em cada página reproduzia-se uma foto, abaixo da foto era registrada a identificação do prisioneiro: nome e apelido, crime cometido, idade, cor, naturalidade, profissão etc. também as tatuagens recebiam classificação, sendo denominadas de ordem étnica, amorosa, religiosa, obscena, decorativa etc. Apesar dessa classificação prévia, nenhum outro registro que orientasse o uso das imagens, ou o porquê de sua produção foi encontrado. (Cf: NASCIMENTO, 2003, p.108) Esses negativos de vidro permaneceram por quase meio século, esquecidos nos porões no complexo penitenciário do Carandiru. Entre 1995-96, Rennó, interessada em acrescentar essas imagens ao seu material fotográfico, montou um laboratório dentro da penitenciária, uma vez que o arquivo não poderia ser retirado do Museu. Empreendendo um trabalho de arquivista e restaurador, a artista dedicou-se a organização, limpeza e acondicionamento do acervo.” (MELO, 2004, p. 03). Disponível em: http://www.cbha.art.br/coloquios/2004/textos/41_janaina_alves_melo.pdf . Acesso em 17 de janeiro de 2023.
|“[...] o Arquivo Universal, segundo a artista, constitui uma ironia acerca da ideia de colecionar infinitas fotografias que somente se realizam através das leituras dos textos sobre elas, já que a foto original propriamente dita não está acessível ao espectador. Esse deslocamento da imagem para a imaginação daquele que observa a obra permite a projeção de si próprio ou de projetar a própria foto, pelo simples fato de não poder conhecê-la concretamente. “O olhar compassivo da artista desafia o espectador a procurar a ternura e a poesia escondida nas imagens comuns e abre possibilidades para atualizar as conexões entre arte e vida”, conforme comenta Melendi (2003, p. 03) na introdução que escreveu para o livro, Rosângela Rennó: Depoimento. As fotografias não ilustram a escrita. Os textos são lidos num continuum temporal. A escrita não é legenda da foto. Aparentemente, não existe uma relação entre as duas categorias, mas, na arte, as conexões entre a linguagem e a imagem apresentam-se infinitas. Ao confrontar, num mesmo espaço, imagem e textos, Rennó abre uma série de relações que nunca estão explícitas.” (Koneski; Roussenq, 2009, p. 380). Disponível em: https://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:Rc-L6TgfzxgJ:https://www.revistas.udesc.br/index.php/dapesquisa/article/download/14194/9270/47635&cd=12&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br . Acesso em 17 de janeiro de 2023.